domingo, 21 de agosto de 2011

nessas madrugadas

    
Não se constrói um castelo sem se quebrar uns pratos,
Não se caí do décimo quinto andar sem perder alguns dentes,
não se abandona o velho guarda roupa sem antes lavar toda a roupa suja,
não se apaga o fogo da cidade com uma borracha,
e nem o passado com um extintor de incêndio,
só se enforca quem não sabe dar um nó em sua própria gravata,
só não mata um leão por dia quem nunca adoeceu de fome,
não se mata uma barata sem sujar os sapatos,
não se come um coelho se não fores mais rápido do que ele,
só não se lambuza de mel quem não tiver coragem de pôr a mão na colméia,
só se afoga no destino quem não temer mudar ele,
entre um edifício e outro não existe uma ponte se lembre sempre disso antes de dar o próximo passo,
e como os pássaros que voam porque tem asas não tire nunca os pés da terra se quiser ser outro lugar,
não confunda comodismo com paz nem omissão com perspicácia,
não confunda até com Atenas nem agir com agiota,
nem dez com cem nem tudo o que queremos tem preço,
muito menos, destemido com kamikaze,
até que nos provem o contrário só se vive e morre uma vez,
não me deixe a vontade se não souber quais são minhas vontades,
e antes de me oferecer a mão  tenha o cuidado de me perguntar se somente elas é o  que quero de ti.  


                                                           Minhas noites.

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