sábado, 12 de novembro de 2011

pensamentos soltos 3

e preso em tua boca uma palavra que se mostrava num sorriso, 
e quantos sorrisos precisam ser somados ou subtraídos pra se ter certeza que eles são realmente de felicidade.
e agarrada a tua pele o ultimo sopro de vento da tarde o perfume suspirado por uma pétala só ao ser abandonada pelo sol.
e quantas primaveras seriam necessárias pra que tu tivesse certeza sem se olhar no espelho que também era uma rosa.
o dia que achou que em teu coração não cabiam mais paixões não foi o mesmo que tu descobriu que o dia que deixar de flertar com a vida tu não mais vive apenas respira é apenas uma digital não identificada.
e nessas pressas que não dão perfeição ao que fizemos um momento de nossa vida não nos desmentiram porque esperamos demais pelo que tínhamos que correr atrás.
e aquela verdade absoluta que ficou entalhada na mesa de um bar hoje quando os pés se arrastam mais na terra não nos provam que podemos voar mas que haverá um dia o pouso.
e teus lábios me esconderam alguns segredos até eu aprender a escutar o que dizia teu coração.
quando te estendi a mão era porque queria mais que ela, quando te ofereci meu tempo é porque queria que minhas horas fossem tuas e meus sóis e minhas luas fossem pendurados no céu de teu mundo.
o dia que deixarmos de cobrir nossos umbigos de colônias de confetes não será o dia em que compreenderemos que amar o outro não é sinônimo de querer leva-la para cama.
amar é simplesmente um verbo que compreendemos o seu tamanho quando aprendermos a conjuga-los corretamente.
esqueça perca a identidade o cartão de crédito a paciência a razão só não perca essa esperança e sonhos que nos empurram em direção ao sol no outro dia.
e no fim da tarde ainda não tinha entendido que tu queria me mostrar que o que eu queria era algo que tu tinha de sobra.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

sobre o tempo

Na parede desbotada sorrisos pregados a martelo e prego lhe lembravam que um dia ele foi mais importante para outro do que para si mesmo e quanto tempo é preciso ser amarrotado não nos mais servir para nos darmos conta disso.                                                                                                                           Na pia uma xícara de café com gosto de insônia, no canto da sala a cadeira rangia,como se estivesse cansada.Nas janelas ainda fechadas um único raio de sol nela se agarrava.                                                                                       Tudo em sua volta tinha cheiro de abandono na caixa de correio que ele visitava todas as manhãs,não lhe trazia nenhuma saudade.Parado na porta ele olhava o que já tinha sido um jardim, a praça cravada  no gramado alto,lhe parecia mostrar sorrisos, rostos,gestos que debaixo do sol pareciam perder com o passar das horas a inocência. Olhava pra longe como se estivesse perdido dentro de si mesmo.
Nos óculos o horizonte refletindo o lugar que seus olhos não mais viam. Pensava como se quisesse gritar, andava pra frente como se quisesse voltar pra trás.
Onde estavam os filhos, os seus netos e seu grande amor, que não na parede sem reboco com o sorriso deformado pela ferrugem do tempo.Onde estavam aqueles que um dia lhe foram amigos e lhe disseram que um tirano jamais seria um bom pai.
E que um gole de álcool não lhe colocaria a verdade nas mãos, que a liberdade não é um  prêmio de consolação e sim um direito que todo ser humano deve exercer depois ele aprende a andar por si próprio.
Que tu é no futuro a soma do que tu fez, do que tu deixou de fazer, do que sonhou, do que suou para ter.