sábado, 7 de abril de 2012

catando uma coisa ali e outra em teus lábios



Um cigarro um pedido de desculpas,
Num lugar abandonado pelas tempestades,
Dançam mendigos e bailarinas numa comovente canção em que o vento arranca de um lugar chamado igualdade.
Te despi aos poucos, em minha imaginação e te vi nua, abraçado ao calor de sua pele me derreti.
Na esquina o camelô vende sonhos a vista, fé a prazo e algumas ervas que substituem a falta de amor próprio.
Fuzilaram a ordem seqüestraram o progresso,
Se quiser pagar o resgate venda seus sonhos e deixe que corrompam seus ideais.
Mastigo uma por uma de tuas palavras e sinto nos lábios um sorriso que antes era só teu.
Gritam as crianças por medo de um dia se tornarem adultas, choram os velhos num canto por terem perdido a inocência, que nossa sabedoria se  manifeste em nossos atos não somente em nosso pensamento, que a maturidade te alimente de coragem e a inocência de fé.
Há santos pedindo orações e velas promessas,
Que um milagre não seja nossa única esperança e nossa maior crença seja em nós mesmos.
Desenho sóis e sopro primaveras quando o outono quer carregar teu perfume e roubar a cor de tuas pétalas.
No corredor da morte generais que levantaram a bandeira pela paz, e homens que clamaram por justiça, chora até o abutre em seu faminto vôo.
Mães e pais infelizes assistem execução mudos a morte da liberdade de expressão o direito  de pensar e o de sonhar.
Enquanto apreciava todos os teus sabores fui ao céu mil vezes e quando silenciei era porque tinha me embriagado com teu suor.
E antes do sol  arrancar suspiros das janelas olhei pra teus olhos fechados e disse eu te amo  como quem confessa a um deus seu mais secreto segredo.
                                        Roger Fonseca

domingo, 1 de abril de 2012

Uma hora cai como hora cai como uma luva, outra bem a tardinha,

Era tarde, eu tinha sede, ela fome, mas me servia,

Uma hora escorregou para meu canto ela puxou para o dela, ficou uma lágrima nos olhos e o dia virou uma grande nuvem cinza,

Era tarde e chovia era cedo e nem estrela tinha,

Ela caiu do telhado eu desabei no outro dia,

Veio como rosa eu tratei como espinho,

Eu fui tudo menos o que ela queria,

Cansada de não  receber o que devia,

Deixou a boneca arrumou outro brinquedo,

Ficou no quarto grudado na parede o som do seu sorriso e o sonho dormindo no travesseiro,

Eu fiz a mala, ela fez o dever de casa eu saí pela porta não sem antes pagar o que eu devia,

Era minha vez eu pedi licença, ela correu na frente ,

Eu fiquei preso no elevador  ela com pressa puxou outra casa e  que tudo dela dentro tinha,

Talvez fosse desculpa ou quem sabe a culpa uns disseram que era falta de dialogo,

só ninguém sabia que ele não mais existia,

Levei na mala tudo que eu tinha , duas ou três calças um retrato dela e umas camisas,

A roupa dela ficou no varal e cada sonho seu  guardado numa gaveta que só eu mexia,

Era uma mão e talvez fosse há única

Ela ficou no retrovisor,

Enquanto eu explicava pra mim mesmo porque eu sempre ia aos mesmos lugares sem querer saber se ela queria ir ao cabeleireiro ou a sorveteria,

Acordei de um pesadelo, não, ela tinha mesmo partido,

E ao avesso vi que tinha apagado com minhas mãos uma estrela que tentou ser minha.

                                      roger fonseca

que me roubem

Que me roubem a praça os brinquedos a inocência nunca a esperança de voltar a sorrir, que me roubem a casa o carpete os latidos de meu cão mas que jamais me falte ambição de ter tudo novamente, que me roubem a paz a bandeira a calma a rede desde que não me falte as armas necessárias para te-las de volta,que me roubem o pensamento os ideais a convicção nunca a sabedoria para adquirilas novamente,
que me roubem a fada o bosque o encanto não a probabilidade de agarrar entre tantos sonhos um só que seja,que me roubem a rua as pedras o suor a calçada a sombra  a água fresca  nunca minhas procuras por um novo dia de sol.

deixando os pensamentos me guiarem

Escorregando pelos dias
Quebro ventos procurando sombras
E as vezes asas procurando vôos
Não temo nadar contra a corrente
E sim de não ter forças de chegar até o mar,
Ocupo o pensamento se preciso,
E quando meu corpo pede corro pro sol,
Não temo as tempestades ou as enxurradas sim não ter mais sedes,
Invento fugas e desenho portas,
Escrevo no muro o lamento das almas que me atormentam,
E morro mais de uma vez quando despenco de um desejo que não sacio,
Respeito as acrobacias que fazemos pra omitirmos a verdade
Temo pelas vidas erguidas a indiferenças e ambições,
Respeito o sorriso com prazo de validade vencido,
E também aquela lágrima que toma os olhos por desespero,
Que somos além de somas de uma quantidade de coisas,
Que seremos se nada poderemos somar,
No labirinto que nos encontramos as vezes
Dançam a casualidade o acaso e o desatino,
E num canto sossegado onde a rede se coloca entre uma ponte e outra,
Descansa mil segredos que constroem uma só verdade,
Queria ser o teu lamento a tua ira alguma coisa que te possuísse,
Algo que deslizasse por teu corpo,
Um pingo de água que fosse nem que soubesse que depois me quebraria na terra,
 Desafio impérios e algumas guerras por acreditar na paz,
Sinto-me inútil quando vejo que o fraco nunca triunfa,
E as leis são aliadas do caos,
Injustiças espalhadas pelas calçadas,
Que contabilizamos em pedidos de esmolas,
A uma certa hipocrisia quando dissemos que nada ouvimos,
Ou quando omitimos de nós mesmos o significado da palavra compaixão,
Olho com desdenho as nuvens e a promessa de um dia lindo
Com respeito me esparramo no agora,
Por achar que a dúvida é necessária,
Para não perdermos tempo fazendo conta com o que ainda não temos nas mãos,
Não temo  ouvir um dia de tua boca eu te amo,
E sim quando você resolver me dizer que eu esteja surdo para escutar.
                                                                          roger fonseca

um sorriso teu

Avenidas cheirando a sobras de sobrados,
por trás dos muros pintados se escondem juras de amor e palavrões em comunhão,
velhas sandálias se arrastam pelas calçadas pesadas de nostalgia,
um sorriso na estante ironiza a sala sem cortinas,
e as sombras na parede se abraçam se enlaçam como tranças de uma menina.
palavras que deixaram de serem ditas arranham o céu da boca,
   e alguns pensamentos tímidos procuram entre teias de aranha um sorriso só teu.
                                                                                                     Roger Fonseca

amigos parte 1

Quero amigos que suspeitem de meu caráter pra que eu me torne um homem melhor,
Amigos que não acreditem em mim para que eu jamais deixe de provar para mim mesmo que sou capaz.
Amigos que me invejem por eu me contentar com o pouco que tenho, sem nunca  duvidar que se quiser posso ser mais que lago posso ser mais que rio posso ser mais que areia, posso ser mar.
Amigos que me julguem para eu aprender que um homem só tem o direito de apontar o dedo para alguém quando ele tiver preparado para assumir seus próprios erros não apenas justifica-los,
Amigos que não me estendam a mão para que eu não duvide de minha capacidade de me levantar não importando o tamanho da queda.
Amigos que me odeiem para eu conhecer realmente quais são os que  me amam.
Amigos desleais para que eu saiba que para uma guerra só te convida a fazer parte dela quem não o é.
Amigos gananciosos para eu aprender que a importância das coisas que conquistamos não esta no valor que elas tem e sim no que elas acrescentam em nossas vidas.
Amigos infelizes pra que eu possa compreender a dor que carrega uma lágrima e a beleza que se esconde num só sorriso.
Amigos sem fé para que eu aprenda com eles que um homem torna-se uma sombra de si mesmo  quando deixar de acreditar em si mesmo.
Amigos que me cobrem para que eu aprenda com eles que antes de exigir o melhor do outro eu como ser humano tenho que ter consciência que dou o melhor de mim.
                                                                              roger fonseca

retalhando coisas

Se apropriar de honras ao mérito que não nos pertencem só provam que jamais  vencemos uma batalha em nossa vida usando de nossa própria coragem.
Provamos mil erros antes de nos recolhermos a um canto e admitirmos que se não fosse por alguns tropeços nunca teríamos aprendido a andar.
De velhos descasos se constroem imensos impérios,
Quantas ignorâncias são necessárias que um rei tenha em suas mãos para ele tomar as nossas vontades nossas verdades e vender em largas e suaves prestações nossos sonhos.
Um homem só poderá reivindicar por liberdade quando ele se ver capaz de construir seu próprio caminho, não será uma renúncia tu não escolher em que lado da sala fica a janela e em que lugar fica o sofá, não será um equivoco não se permitir sujar as tuas mãos com o tijolo que  te protegerá de grandes tempestades e algumas chuvas intensas.
Quando minhas lágrimas caíram sobre o terço não terá sido porque eu nada mais esperava de mim, e minhas forças eu usava unicamente pra pedir licença as pedras que se colocavam em meu caminho para  seguir em frente.
Desistir  de si  mesmo é sujar as unhas cavando sua  própria cova.
Nos acovardamos quantas vezes dando pão café e cama para os enfermos com o  propósito de esquecermos nossas dores nossas febres.
Forte é o homem que depois de muitas batalhas e cicatrizes semeia a bondade e sopra no dia o conhecimento que para desfrutar dela não precisamos usar do ódio e nem da força.
 E quando o sol levou junto com ele meu ultimo pensamento,
Minha sede procurou teus lábios e  minha  fome toda correu em direção a teu corpo.
                                          roger fonseca

entre ser ou não

Entre ser ou não ser, prefiro existir, entre querer e o não ter, escolho ousar, entre dormir e sonhar, agarro a probabilidade  de suar em tuas mãos e me derreter no calor de tua pele.        
                                        roger fonseca

Existem inúmeros motivos para um homem culpar a vida por não ver mais graça em viver,
Dentre algumas, a inocência de ao despertar não deixar entre os lençóis e no travesseiro os sonhos que só são viáveis quando se dorme profundamente.
Acusar a sociedade por seus fracassos porque é mais fácil ser vitima das circunstâncias do que lutar pela absolvição de atos que cometemos com o  propósito de não sermos  das estatísticas os que precisam ser salvos e sim os que tem capacidade de serem os que socorrem os mortos e feridos.
E aquela  porta que não foi aberta talvez seja porque existe uma distância enorme entre bater palma para o que os outros conquistam e bater na porta que jamais  deixará de ser um objetivo impossível se ela não conhecer a força de vontade que carrega nosso punho fechado.
E dentre tantas talvez a principal seja a falta de amor em nós mesmos.
                                                                                roger fonseca