Um cigarro um pedido de
desculpas,
Num lugar abandonado pelas
tempestades,
Dançam mendigos e bailarinas
numa comovente canção em que o vento arranca de um lugar chamado igualdade.
Te despi aos poucos, em minha
imaginação e te vi nua, abraçado ao calor de sua pele me derreti.
Na esquina o camelô vende
sonhos a vista, fé a prazo e algumas ervas que substituem a falta de amor
próprio.
Fuzilaram a ordem
seqüestraram o progresso,
Se quiser pagar o resgate
venda seus sonhos e deixe que corrompam seus ideais.
Mastigo uma por uma de tuas
palavras e sinto nos lábios um sorriso que antes era só teu.
Gritam as crianças por medo
de um dia se tornarem adultas, choram os velhos num canto por terem perdido a
inocência, que nossa sabedoria se
manifeste em nossos atos não somente em nosso pensamento, que a
maturidade te alimente de coragem e a inocência de fé.
Há santos pedindo orações e
velas promessas,
Que um milagre não seja nossa
única esperança e nossa maior crença seja em nós mesmos.
Desenho sóis e sopro
primaveras quando o outono quer carregar teu perfume e roubar a cor de tuas
pétalas.
No corredor da morte generais
que levantaram a bandeira pela paz, e homens que clamaram por justiça, chora
até o abutre em seu faminto vôo.
Mães e pais infelizes
assistem execução mudos a morte da liberdade de expressão o direito de pensar e o de sonhar.
Enquanto apreciava todos os
teus sabores fui ao céu mil vezes e quando silenciei era porque tinha me
embriagado com teu suor.
E antes do sol arrancar suspiros das janelas olhei pra teus
olhos fechados e disse eu te amo como
quem confessa a um deus seu mais secreto segredo.

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