sábado, 17 de setembro de 2011

dúvidas,incertezas. ( pensamentos desgarrados)

Não sei se era uma tempestade que me castigava,
Ou um vendaval que morava dentro de mim,
não sei,
só sei que chovia.
Não sei se tropeçava numa pedra,
ou jogava uma,
não sei,
só sei que havia um caminho.
Não sei se era um navio que atracava no cais,
Ou um cais que dava adeus a um navio,
Só sei que eu não tinha leme e meus pés estavam cravados na terra.
Não sei se era o verão que me queimava,
ou a febre que me ardia,
não sei,
talvez fosse sua pele que me derretia.
Não sei se era o tempo que eu temia,
ou o que eu deixei de fazer com ele,
não sei,
Só sei que em frente ao espelho, ele me apontava o dedo.
Não sei se eu olhava do pico da montanha,
ou a montanha ria de mim,
não sei,
só sei que eu tinha medo de altura.
Não sei se eu passeava pela floresta,
ou se nela eu me perdia,
não sei,
só sei que bússola eu não tinha.
Não sei se eu levava paz,
ou ódio na mochila,
não sei,
só sei que não carregava a guerra na cintura.
Não sei se eu era promessa ou milagre,
se era pastor ou rebanho,
não sei,
só sei que em vez de carregar um cajado nas mãos eu levava um terço.
Não sei se eu me vestia de esperança,
ou de mendigo,
não sei,
só sei que não pedia esmolas,
e meu dedo apontava entre nuvens cinzas,
a certeza de um novo e belo dia.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

quando criança

Quando criança,
queríamos ser adultos.
Hoje escondemos a idade.
Quando criança,
tínhamos medo de monstros embaixo da cama, mulas sem cabeça.
Hoje tememos o monstro que nos tornamos.
Quando criança,
queríamos as pressas outro dia um outro ano,
Hoje a importância esta no agora não na dúvida do que pode ser depois.
Quando criança,
respeitávamos os mais velhos não questionávamos sua sabedoria.
Hoje não queremos ser respeitados e nem ser sábios.
Quando criança,
levantávamos espadas criávamos exércitos combatíamos inimigos inventávamos guerras, conquistávamos mundos com soldadinhos de chumbo.
Hoje mal cuidamos de nosso pequeno quintal, e não semeamos a paz.
Quando criança,
queríamos ser astronautas  conhecer a lua e outras vidas, outros planetas.
Hoje  pouco sabemos sobre o mundo que habitamos, e conhecemos muito pouco sobre a espécie que pertencemos.
Quando criança,
sonhávamos em ser adultos, usufruir de nossa liberdade.
Hoje tememos não ter mais sonhos e questionamos nossa democracia.
Quando criança,
uma lágrima a dor de um tropeço acabavam nos braços de nossos pais.
Hoje uma desilusão, a falta de um motivo para sorrir, uma decepção nos corre para a cama. 

terça-feira, 13 de setembro de 2011

pensamentos e primaveras

 
se eu não puder ser do teu corpo a tatuagem que seja o sal grudado em tua pele quando abandona o mar.

vou ali sentir o gosto do sereno na boca, guardar o brilho de uma estrela nos olhos, e procurar no sono aquele sorriso teu, que não achei enquanto o sol pousava na grama verde e o beija flor se embriagava com o licor das rosas.

Quando cai a noite e as estrelas brotam no céu uma a uma como rosas que tomam pra si o perfume da primavera com o primeiro sopro que ela da ,queria ser de ti as pétalas que não caem quando tu por um punho fechado é colhida.

O narcisista é a pessoa mais honesta que conheço, são indivíduos que não tem medo de assumir que não amam nada, que não tenha vinculo com seu umbigo.

Nem tudo que a gente quer cabe num dia, nem todos os sonhos que temos cabem num só sono, nossa felicidade é bem maior que um sorriso só, nem todas nossas dúvidas se dissolvem só numa pergunta,nem todo nosso desejo termina num beijo, nem tudo o que conquistamos significa que temos o bastante  para nada mais querer da vida.

Cada um com suas verdades, seu corte de cabelo seus segredos, cada um com seu gosto de sonho na boca, cada um com seu sorriso pregado na boca ou sua lágrima presa nos olhos, não existem verdades absolutas e nem mentiras que um dia não quebrem uma perna, nem vaidades que um dia não se lembrem do tempo antes de se olharem no espelho.

Que o tempo passe que a rua acabe que os sonhos continuem, que o voo pouse num galho desde que o céu não perca as estrelas e nem o vento o sabor da liberdade.

Pão não se multiplica se divide, verdades não tem dono cada um tem as suas, certezas ninguém tem de nada, mas todos acham que a possuem, caminhos há muitos mas o que nos libertam, só um, sonhos todos têm dormindo, poucos buscam de olhos abertos, paz todos querem, poucos se desarmam em busca dela.


domingo, 11 de setembro de 2011

entre ser pedra ou flor

Entre uma noite e um dia de sol o sono, entre a flor enterrada no jardim e ela colocada em tuas mãos, o jardineiro, entre o tropeço e a queda, a pedra, entre o que tem e o que deseja, tua ambição, entre o mar e teus pés, a areia, entre querer e ter, a persistência, entre uma verdade e uma mentira, o caráter, entre caos e a desilusão, a esperança, entre a fome e a miséria, o descaso, entre o que possui e o que ainda não,o suor, entre o céu e a vontade de voar, as asas, entre onde esta e onde pretendia chegar, teus passos, entre um erro e outro, a sabedoria de não repeti-los,entre uma vela e um milagre, a fé, entre ser ou não ser, exista, entre sonhar e realizar, o despertador.