Não sei se era uma tempestade que me castigava,
Ou um vendaval que morava dentro de mim,
não sei,
só sei que chovia.
Não sei se tropeçava numa pedra,
ou jogava uma,
não sei,
só sei que havia um caminho.
Não sei se era um navio que atracava no cais,
Ou um cais que dava adeus a um navio,
Só sei que eu não tinha leme e meus pés estavam cravados na terra.
Não sei se era o verão que me queimava,
ou a febre que me ardia,
não sei,
talvez fosse sua pele que me derretia.
Não sei se era o tempo que eu temia,
ou o que eu deixei de fazer com ele,
não sei,
Só sei que em frente ao espelho, ele me apontava o dedo.
Não sei se eu olhava do pico da montanha,
ou a montanha ria de mim,
não sei,
só sei que eu tinha medo de altura.
Não sei se eu passeava pela floresta,
ou se nela eu me perdia,
não sei,
só sei que bússola eu não tinha.
Não sei se eu levava paz,
ou ódio na mochila,
não sei,
só sei que não carregava a guerra na cintura.
Não sei se eu era promessa ou milagre,
se era pastor ou rebanho,
não sei,
só sei que em vez de carregar um cajado nas mãos eu levava um terço.
Não sei se eu me vestia de esperança,
ou de mendigo,
não sei,
só sei que não pedia esmolas,
e meu dedo apontava entre nuvens cinzas,
a certeza de um novo e belo dia.







