quarta-feira, 24 de agosto de 2011

da simplicidade

É com frio que faço fogo, 
é com sede que bebo água, 
é com fome que mastigo o pão, 
nem toda esmola deixa de ter um preço. 
é com esperanças que colocamos os pés no outro dia. 
é com os olhos que acaricio as cores, 
é com as mãos que cultivo as flores, 
é sem luz que acendo a vela, 
é com muito sono que apago ela com um sopro. 
é com uma página nua na mão que escrevemos o futuro. 
nem todo amor pede uma cama, 
nem todo beijo é por desejo. 
escrevo raso, 
evitando a profundidade evito de me afogar, 
e o dia se aquieta, 
como uma criança depois de ser amamentada.                           

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