domingo, 21 de agosto de 2011

e bebem da sagrada luz

E bebem da sagrada luz da manhã as flores os pobres os mendigos os turistas os
matemáticos os negros os velhos e bebem da luz da manhã o equilibrio a falta de
bom senso o perspicaz o viajante a imaculada inocência e a franqueza dos tiranos, e
bebem da luz da manhã os soldados e seus conflitos a maldade e suas desculpas o
suicida e a irresistível vontade de viver, e bebem da sagrada luz da manhã os
amantes os que cultivam ódio, o concreto a grama verde o fracasso o vencedor a
arte de saber que perder uma batalha é aprender com ela como vencer outra,
e bebem do da sagrada luz da manhã o escritor e sua inspiração a criatura e o
criador a convicção e o medo de pensar o desejo e a antecipada culpa do beijo não
dado,e bebem da sagrada luz da manhã o que afoga o que respira o que tem alma o
que só transpira o que viaja o que só tem raízes o que ilumina o que quebra o que
tem prazo e o que não tem garantia, e bebem da luz sagrada da manhã o insalubre
infortúnio e a vital necessidade de nunca perder a esperança.

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