Retratos na parede, sorrisos desbotados,
Janelas empoeiradas, cheiro de silêncio,
Espelhos quebrados, barba por fazer,
Um pedido de socorro mudo,
Um grito doído preso na garganta,
Nos olhos o reflexo do sol que já se despedia,
Velhos sonhos, amontoados encima da estante,
Esperanças varridas para o canto da sala,
Com quantos erros se é abandonado se perguntava,
Com quantas lágrimas somos perdoados pensava,
Que tamanho tem que ter a humildade para que ela não seja confundida com fraqueza,
Um homem tem direito a paz um dia se ele não sabe que as maiores conquistas que obtemos na vida são com amor que oferecemos sem cobrar nada por da-lo.
Não se pode querer mais do que se semeia, pergunte a terra que jamais sujou as tuas mãos se ainda tem duvidas.
Chegamos as vezes tarde demais a conclusões que apostamos demais em nossas verdades sem dar ouvidos a outras que eram mais convincentes que as nossas.
Nos perdemos muitas vezes cedo demais por achar que ainda era muito cedo e as manhãs se jogavam pro passado uma a uma e nossa arrogância nos impedia de olhar para outro umbigo que não o nosso.
Quantas vezes não pedimos licença por achar que o caminho a nossa frente era exclusivamente nosso,
Que fizemos nós para merecer mais que o outro,
Que batalhas nos tornaram melhor que outro ser humano se com elas não aprendemos que numa guerra só há vencidos.
E por fim descalço agora pisando no presente cheio de espaços vazios será que não podemos desatar as correntes que nos atam há pedras já tropeçadas e com novas atitudes reconquistar aqueles que por ignorância um dia afastamos de nós por desprezar o seu respeito e seu amor por nós.
E antes do sol com toda sua humildade abandonar as horas já usadas lembrei dos fins de tarde que eu vestia as asas de um beija flor e matava minha fome e sede em teus lábios.
Roger Fonseca

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