É com frio que faço fogo,
é com sede que bebo água,
é com fome que mastigo o pão,
nem toda esmola deixa de ter um preço.
é com esperanças que colocamos os pés no outro dia.
é com os olhos que acaricio as cores,
é com as mãos que cultivo as flores,
é sem luz que acendo a vela,
é com muito sono que apago ela com um sopro.
é com uma página nua na mão que escrevemos o futuro.
Nem todo amor pede uma cama,
nem todo beijo é por desejo.
Escrevo raso,
evitando a profundidade evito de me afogar,
e o dia se aquieta,
como uma criança depois de ser amamentada.

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