Escorregando pelos dias
Quebro ventos procurando sombras
E as vezes asas procurando vôos
Não temo nadar contra a corrente
E sim de não ter forças de chegar até o mar,
Ocupo o pensamento se preciso,
E quando meu corpo pede corro pro sol,
Não temo as tempestades ou as enxurradas sim não ter mais sedes,
Invento fugas e desenho portas,
Escrevo no muro o lamento das almas que me atormentam,
E morro mais de uma vez quando despenco de um desejo que não sacio,
Respeito as acrobacias que fazemos pra omitirmos a verdade
Temo pelas vidas erguidas a indiferenças e ambições,
Respeito o sorriso com prazo de validade vencido,
E também aquela lágrima que toma os olhos por desespero,
Que somos além de somas de uma quantidade de coisas,
Que seremos se nada poderemos somar,
No labirinto que nos encontramos as vezes
Dançam a casualidade o acaso e o desatino,
E num canto sossegado onde a rede se coloca entre uma ponte e outra,
Descansa mil segredos que constroem uma só verdade,
Queria ser o teu lamento a tua ira alguma coisa que te possuísse,
Algo que deslizasse por teu corpo,
Um pingo de água que fosse nem que soubesse que depois me quebraria na terra,
Desafio impérios e algumas guerras por acreditar na paz,
Sinto-me inútil quando vejo que o fraco nunca triunfa,
E as leis são aliadas do caos,
Injustiças espalhadas pelas calçadas,
Que contabilizamos em pedidos de esmolas,
A uma certa hipocrisia quando dissemos que nada ouvimos,
Ou quando omitimos de nós mesmos o significado da palavra compaixão,
Olho com desdenho as nuvens e a promessa de um dia lindo
Com respeito me esparramo no agora,
Por achar que a dúvida é necessária,
Para não perdermos tempo fazendo conta com o que ainda não temos nas mãos,
Não temo ouvir um dia de tua boca eu te amo,
E sim quando você resolver me dizer que eu esteja surdo para escutar.

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